Entenda o impacto positivo dos Círculos de Construção de Paz no comportamento da comunidade escolar

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Data: 02/08/2019

Postado por: Redação Escola+Paz

O projeto Escola+Paz fechou seu ano de funcionamento com o Seminário: Relatos e Resultados, realizado no auditório do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Comemorando as metas atingidas, evento nos convidou a pensar sobre os impactos da Justiça Restaurativa e dos Círculos de Construção de Paz nas escolas públicas e Centros de Juventude da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Ao todo, foram formados 1.249 facilitadores de paz e 159 facilitadores restaurativos nos seis territórios estabelecidos. O programa teve 100% de aprovação entre os participantes e deixou 34 núcleos pioneiros em 135 escolas. Mas o que isso significa na prática?

Escola + Paz na prática

No seminário final da Escola+Paz, o pesquisador de neurociência comportamental e docente na Escola da Magistratura, Guilherme Nogueira, explicou como os Círculos de Construção de Paz envolvem os alunos. Segundo ele, a metodologia é estruturada de tal forma que as pessoas tendem a relaxar durante o “check-in” e o cerimonial, as primeiras etapas, o que as torna mais permeáveis a novas ideias.

“À luz da neurociência isto é extremamente importante para a abertura do canal de observação, para a abertura do canal comunicativo e para qualidade da responsividade comportamental”, completa o pesquisador.

Além disso, Nogueira destaca a importância do momento de Contação de Histórias como forma de desenvolver a atenção plena e a preocupação empática. Por fim, destaca o papel da escola em institucionalizar os Círculos, para que eles não fiquem sob a figura de um único professor.

Os Círculos de Construção de Paz também são local de pertencimento e de diminuição de conflitos. De acordo com a pesquisa quantitativa que analisou o comportamento dos jovens antes e depois do Escola + Paz, aumentaram de 12,36% para 60% o número de professores que acreditam que conflitos interpessoais entre alunos acontecem raramente ou nunca. Além disso, mais de 60% dos professores indicam que o sentimento de pertencimento na comunidade escolar melhorou.

Isso explica a paixão dos estudantes durante as apresentações artísticas dos sete pressupostos dos Círculos de Construção de Paz, que guiaram o seminário. Guiados pelos consultores dos territórios, eles trouxeram novas formas de visualizar estes preceitos.

Apresentações artísticas dos territórios

As apresentações iniciaram com o território Alvorada, com a fala do Eric Abreu, aluno do Centro de Juventude, e uma performance teatral dos seus colegas. Representando o território Cruzeiro, a consultora Karine Pacheco abriu a fala com a interpretação da música Vilarejo, de Marisa Monte. O território Rubem Berta nos trouxe duas apresentações: no início, um jogo com bola teatralizado, e ao fim, um espetáculo de dança.

Após o almoço, o território Lomba do Pinheiro recebeu a todos com uma grande ciranda, que ocupou o auditório inteiro. Representando o território da Restinga, o estudante Vinícius Gabriel, trouxe uma poesia slam, falando de racismo e machismo. Finalizando a tarde, o território Viamão montou uma pirâmide humana sinalizando a importância de cada um.

As expressões artísticas demonstram na prática o impacto do Escola + Paz nos territórios. Ao fim do projeto, estima-se que 85,29% dos professores entrevistados percebem há o incentivo das escolas à prática dos Círculos de Construção de Paz, importantes para o desenvolvimento emocional de toda a comunidade escolar. O próximo avanço, como sugere Guilherme Nogueira, é aumentar a frequência da realização dos Círculos, que hoje ocorre uma vez por mês na maioria das escolas.